Finalmente, começo a aprender a dar valor à vida. A tudo aquilo que realmente me faz falta. Começo a saber separar o importante do desnecessário. Como que uma reciclagem na minha vida. Começo a aperceber-me de que coisas que jamais imaginei acontecerem, de facto aconteceram. Umas boas, outras más, outras assim-assim. Percebi também que quando achava que estava a fazer bem, alguém veio ter comigo e disse que estava a fazer mal. Hoje, apercebo-me de que coisas que pensei acontecerem de uma forma, aconteceram da maneira exactamente oposta.
Começo a conceber que por vezes virei à direita e que, de facto, o melhor caminho era mesmo o da esquerda. Começo a entender também que olhei demasiadas vezes para trás, e que o caminho, esse, era mesmo para a frente, e não o inverso.
Hoje, compreendo que muitas vezes os meus desejos não passaram de miragens, algo efémero e nebuloso. E os sonhos? Fugazes e fugitivos. Quando pensava estar a agarrá-los com todas as minhas forças e que ao som de um clique de um estalar de dedos eles se tornariam realidade, foi quando na verdade se perderam. E com eles, muitas das vezes, foram os motivos e as razões para acreditar que valia e quiçá vale a pena.
Os sonhos, os sonhos, os sonhos… Esses foram, são e serão sempre como as ondas do mar. Vão e vêm com elas. Umas vezes voltam, outras não. Por vezes escondem-se por entre as rochas e as conchas que preenchem todo o areal da nossa formosa praia. Mas é incrível. Nunca se perdem.
Como os sonhos, existem também pessoas. Essas também conseguem ir e vir quem nem uma tempestade no mais alto mar. Porém, quando são importantes, também elas acabam sempre por ficar. Quanto mais não seja sob a forma de um vazio no nosso arcaico coração, ou de uma lembrança na nossa memória. Deixam sempre uma marca. É espantoso.
Tu chegaste. Partiste. Voltaste, mas não a 100%. E o vazio, esse permanece de uma forma incrível dentro de mim. As saudades vão-se acumulando à beira mar. Também elas não se perdem. Ainda assim, ficam as memórias, e com elas um sorriso no rosto.
Sabes, sentir falta de alguém, e alguém fazer falta são coisas diferentes. E tu, vieste de tal forma para ficar que sinto a tua falta e fazes-me falta. És importante, e sê-lo-ás para todo o sempre. Porque já fizeste a diferença. Já deixaste a tua marca em mim. De uma forma ou de outra, já é para sempre. Aquele para sempre que pode durar uma vida, lembras-te?
Hoje sinto-me cansada, sem forças. Sinto apenas que nada sei, a não ser que já nada fica por dizer. Todas as palavras que um dia quis dizer, disse. Todas as que não te cheguei a dizer, hoje escrevi-as para que as possas ler. E aquelas que entre o querer e não querer, escrever e não escrever, dizer e não dizer se perderam. Então era porque não tinham que ser ditas. Pelo menos não agora. Quem sabe um dia.
Contudo, só há uma coisa de que me arrependo. Foi a de não me ter apercebido mais cedo de que andar no pára-arranca contigo não me serviria de nada. Eu sabia com o que contar. O que sentias e o que querias. O fim já era certo. E sabendo eu disso… ir mais de vagar não me atenuava a dor.
Ainda assim, adoro-te para sempre.
E porque hoje, hoje quis um abraço teu e não tive.
Ora por mim, ora por ti, ora por nós.
~ Um dia vou ser feliz, prometo.