quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Insónias.

Insónias? Sim, também as tenho. Também me deito na cama e dou voltas e contravoltas.
Chego mesmo a entrar em contramão. Pensamentos. Sentimentos. Emoções mil.
Aquele 8 e 80 de que tanto falamos. É como se viajasse num carrinho de choques.
Entendes o que escrevo? Sentes o que sinto? Serão mundos diferentes? Distintos? Se calhar. Eu sei que também os há. Mas também o povo diz que “os opostos atraem-se”. Não sei. Enquanto o que te disser, fizer, escrever e sentir surtir efeito em ti eu vou acreditar na utupia. Vou acreditar que posso procurar o que preciso em ti. Mas nos entretantos a página 25 do capitulo VIII do meu livro que outrora se mostrava branca como a cal preenche-se. Não são só as letras, as palavras e as frases que a preenchem. Mais do que textos são beijos, abraços, mensagens e massagens, carinhos e ternuras, afectos e sorrisos que a pintam. Depois vêm as lágrimas, as inseguranças e os ciúmes que borram a pintura toda. Mas às vezes é assim que surge o abstrato. E é nele que encontramos o que mais precisamos: O equilíbrio. O abstrato não tem certo ou errado. Tem interpretações. E a nossa transmite-nos o que nós queremos ver, sentir, pensar, desejar e viver.

Chego àquela altura da noite em que dou uma última volta na cama. Viro a cara para o lado direito, limpo os olhos, ajeito os phones nos ouvidos, baixo o volume da música e penso. Talvez eu não seja para ti. Ou talvez tu não sejas para mim. Ou talvez não sejamos um para o outro simplesmente. Mas esta é aquela parte do meu livro que tu me ajudas a escrever. Aquela parte que sabemos que teremos de escrever a dois. Porquê? Porque aquilo que me tira o sono é o mesmo que me faz acordar todas as manhãs. Ele. Insónias. 

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