Insónias? Sim,
também as tenho. Também me deito na cama e dou voltas e contravoltas.
Chego mesmo a entrar em contramão. Pensamentos.
Sentimentos. Emoções mil.
Aquele 8 e 80 de que tanto falamos. É como se
viajasse num carrinho de choques.
Entendes o que escrevo? Sentes o que sinto? Serão mundos diferentes? Distintos? Se calhar. Eu sei que também os há. Mas também o povo
diz que “os opostos atraem-se”. Não sei. Enquanto o que te disser, fizer, escrever
e sentir surtir efeito em ti eu vou acreditar na utupia. Vou acreditar que
posso procurar o que preciso em ti. Mas nos entretantos a página 25 do capitulo
VIII do meu livro que outrora se mostrava branca como a cal preenche-se. Não
são só as letras, as palavras e as frases que a preenchem. Mais do que textos
são beijos, abraços, mensagens e massagens, carinhos e ternuras, afectos e
sorrisos que a pintam. Depois vêm as lágrimas, as inseguranças e os ciúmes que
borram a pintura toda. Mas às vezes é assim que surge o abstrato. E é nele que
encontramos o que mais precisamos: O equilíbrio. O abstrato não tem certo ou
errado. Tem interpretações. E a nossa transmite-nos o que nós queremos ver, sentir,
pensar, desejar e viver.
Chego àquela altura da noite em que dou uma última
volta na cama. Viro a cara para o lado direito, limpo os olhos, ajeito os
phones nos ouvidos, baixo o volume da música e penso. Talvez eu não seja para
ti. Ou talvez tu não sejas para mim. Ou talvez não sejamos um para o outro
simplesmente. Mas esta é aquela parte do meu livro que tu me ajudas a escrever.
Aquela parte que sabemos que teremos de escrever a dois. Porquê? Porque aquilo que
me tira o sono é o mesmo que me faz acordar todas as manhãs. Ele. Insónias.
Sem comentários:
Enviar um comentário