quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Who am I?

Não sou nem um terço do que vês. Mas também não sou um quinto do que possivelmente imaginas. Complexa é a minha alcunha. Antagónica, perfeccionista e incongruente são os meus nomes do meio. Corajosa e destemida era os nomes que gostaria de ter tido.

Vivo em constante mudança. Tenho um humor instável. Ainda assim, quando estou à tua frente, a coisa melhor que tenho para te oferecer é um sorriso. À tua frente está sempre tudo bem. O mundo pode estar a acabar, mas por mim está sempre tudo bem. Infelizmente nunca tenho coragem suficiente para te dizer o quão triste e amargurada estou.

Posso sentir-me pisada, magoada, desiludida, menosprezada e abusada. Mas nunca, jamais em tempo algum terei a audácia de te enfrentar e dizê-lo cara a cara. Por mim, nunca saberás quando me sinto assim. Não por palavras. Talvez por gestos e acções.

Porém, de uma coisa podes ter a certeza “karma is a bitch”. E eu, “cá se fazem, cá se pagam”. Não sou necessariamente vingativa. Tenho sensibilidade. Mas dificilmente te perdoou a 100%. No entanto também tenho memória, e por isso, não esqueço. Podem ter passado duas semanas, cinco meses ou quarenta anos. Jamais esqueço, e quando menos esperas, alguém se encarrega de te fazer sentir, não tudo, mas quiçá um quarto do que eu senti nessas duas semanas, cinco ou quarenta anos anteriores.

Sou uma intempérie de sentimentos nebulosos, desordenados e desconexos que inundam a minha alma já confundida. No meu corpo perdura a complexidade das coisas mais simples e banais da vida. Uma verdadeira tempestade impetuosa e agitada.

Ainda assim consigo ser mais racional do que impulsiva. Não penso duas vezes antes de agir. Penso meia dúzia. E por vezes considero que não é o suficiente. Porquê?

Dentro de mim, o pânico e o medo ordenam sempre. Podes-me dizer trinta vezes “gosto de ti” que eu nunca darei o primeiro passo. A insegurança anda a par e passo comigo. Vou achar sempre que aquele gosto de ti não é suficiente. Não aos meus olhos. Todos á volta podem ver o verdadeiro sentido de tais palavras que eu vou ter sempre a incerteza natural de quem não tem confiança em si.

Se há defeito ou qualidade que tenho é por os outros em primeiro lugar. Para não magoar os outros, prefiro magoar-me a mim. Não gosto de sofrer. Mas gosto de ter a consciência de que ninguém sofre por minha causa. De que deixo sempre os outros bem, ainda que para isso, tenha eu de ficar mal. Interiormente, fico completamente corroída. Chego a sentir-me desfeita. Sem utilidade, sem valor, sem qualidade. Chego ao ponto de me sentir nada. Perdida, vazia e pior, consumida por tudo o que me rodeia. É triste pensar e preocupar-me mais com os outros do que em mim. Mas é bem real.

Sonho é um facto. Mas sozinha, no meu canto. Porque a seguir a cada sonho que tenho emerge em mim o pavor só de pensar que o posso vir a viver. Isso é bom, acham vocês. Pois, talvez seja. Mas eu, só consigo ver o “outro lado”. O negativo. Sabem quando as vossas asas se esquecem de voar? O receio de me atirar e não ter ninguém para me amparar a queda é grande. Não quero estatelar-me no chão que nem uma pedra quando atirada de um 13º andar. Não, isso não.

Gostava de ser diferente. Não muito. Porque isso não era ser eu. Mas desejava ter mais confiança, poder viver e sobretudo, aproveitar a vida. “You just live once”, e o maior terror que alguém pode ter é chegar ao fim desta longa estrada a que chamamos vida e pensar que se poderia ter dado mais. Sentir que não se viveu tudo o que se poderia ter vivido. Eu não quero ser assim. Não peço que me segurem aquando da minha queda, apenas que me ajudem a cair bem.

Faço tudo por aqueles que mais gosto. Mesmo que se aproveitem, exteriormente não demonstro que me importo. Nunca sou o que quero ser, nem o que tu gostavas que fosse. Até posso ser o que procuras. Mas posso não ser nem metade do que mereces.
Por isso, ao invés de me pagares uma volta ao mundo. Vem comigo. O sabor é outro, acredita.


E afinal, quem sou eu?
Sou mais do que este texto. Sou o que Sou. E isso é tudo.

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